Conviver com várias culturas 11/40

Nunca gostei de estudar inglês, fugi dele a vida toda como o diabo foge da cruz. Sempre apreciei o espanhol, italiano e francês. Entretanto, na minha época, a escola exigia o bendito inglês. Não tive opção de escolha! Nem dessa forma posso dizer que aprendi. Como não gostava, não havia dedicação, o que gerava notas baixas, apenas para passar de ano, e o aprendizado, o que realmente importava, era zero.
Ao longo da vida pessoal, ou mesmo profissional, pouco precisei dele. Se o tivesse, teria sido útil, mas, até o momento, não havia lamentado sua ausência como nestes meses em Portugal.
Sempre admirei quem falava mais de um idioma, mas achava que isso não era para mim. Sim, já tive período de baixa estima, mas isso faz muito tempo. Há uns seis anos, me tornei a pessoa mais confiante que conheço. No meu dicionário só há espaço para palavras como: “Sim, eu posso!” E não está longe do dia que serei poliglota.
Aos 36 anos fiz curso de espanhol. Aos 38 anos iniciei italiano, no qual estudei até os últimos dias antes da mudança. Sabia que aqui seria bom ter um pouco de conhecimento do inglês por conta do mestrado, mas pensei: “Hoje temos apoio da tecnologia com programas e aplicativos tradutores, essas coisinhas que facilitam a vida da gente. Vou estudar pouco por eles, o básico, e vai estar bom!”
Não, não está bom! Primeiro que aqui, em Portugal, há uma concentração de pessoas de diversos países com vários idiomas diferentes, e quando estes idiomas não são o português, espanhol ou francês, a forma deles todos se comunicarem, na maioria das vezes, é com inglês. Sim, é uma humilhação! Fico observando em todos os lugares, todos eles falam no mínimo 4 idiomas, a menina da loja de meias, a do restaurante, a do supermercado, na universidade, etc. Hoje mesmo um pedinte falou comigo em português e pedia dinheiro para o transporte. Depois, foi pedir a um turista. Então, observei que ele teve um longo dialogo, em inglês, com o rapaz.
Quase todos os dias esbarro em alguém, seja no elevador, no metro, na rua, o fato é que precisam comunicar-se comigo em inglês, seja para pedir informações, ou desejar “bom dia”, ou pedir desculpas, qualquer coisa, mas eles estão lá, fazendo o papel da voz de Deus sussurrando no meu ouvido: “Vamos aprender inglês!”. Ontem, fui dormir pensando nisso, que para mim basta, vou tratar de apaixonar-me por esse idioma e estudar para aprender de uma vez por todas.
Com o destino que escolhi para mim, esse é só o começo da necessidade e importância que o idioma inglês vai ter em minha vida. E não tem como ser diferente, não tenho mais medo dele. Agora, acredito que vou conseguir aprender! Ainda bem que para facilitar minha vida, pertinho da minha casa tem um curso. Hoje foi meu primeiro dia de aula e a segunda grande vergonha, ao ser abordada sobre meus conhecimentos do idioma, deu branco no juízo. Não sei muito, é fato! Mas conheço várias palavras soltas e, na hora, recordei de poucas.
This is my life! Melhor pagar o mico para aprender do que pagar o mico de não saber!

e até amanhã



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