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Lições do (des)apego 17/40

7 de dez. de 2015
2 min de leitura

Atualizado: 7 de mar. de 2021



Quando desmontamos nossa casa no Ceará (Brasil), tivemos uma reunião familiar, eu e meu marido. Estávamos conscientes de que não seria fácil, principalmente por conta da mudança radical de valores que desejávamos aplicar em nossas vidas. Chegamos aqui querendo adquirir apenas conhecimentos, amigos, experiências e tudo mais dos itens que o dinheiro não compra. Nos últimos dois meses que passamos em nossa cidade, percebemos que não precisávamos de tudo que tínhamos em termos de bens para sermos felizes. A felicidade estava dentro de nós, nas ações que praticamos e que nos realizam como pessoas e profissionais.

Entretanto, em Portugal, foi necessário fugir do que desejávamos. Não conseguimos alugar um apartamento mobiliado e tivemos, realmente, a necessidade de comprar o mínimo para ter um ambiente funcional: duas mesas, quatro cadeiras, um puff, dois bancos para fazer função de criado-mudo, um sofá cama para ser cama, uma mini cômoda, uma arara e uma estante de nichos.

É fato que passamos dias planejando sobre as nossas reais necessidades e, agora, recebendo estes móveis, dei-me conta de que a lição do desapego não teve tempo de criar raízes. Bateu um momento reflexão: “São muitos será’s?”. “Não seria melhor continuar dormindo num colchão de ar?”; “A cadeira não poderia ser uma almofada no chão?” E estou tentando acreditar que fizemos o que era certo. Entretanto, para quem queria uma vida mais simples ainda, de ter o mínimo, de ter apenas coisas que possam ser transportadas em malas, realmente, eu tenho novamente mais do que desejei. E como ser humano imperfeito que sou, restam as desculpas para mim mesma: “Sim, é necessário, faz muito frio!”; “Sim, este apartamento era o que havia de melhor opção naquele dia!”; “Sim, já era hora de ter meu espaço.”; Etc.

Ainda fica o desejo de um dia ser apenas mochileira. Para já, o consolo. Iniciei os primeiros passos do desapego, mas entendo que é realmente um caminho longo a percorrer.


e até amanhã.

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