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Não é generoso generalizar 6/40

26 de nov. de 2015
2 min de leitura


Vivemos em meio a tanta violência que, às vezes, sem perceber começamos a ficar desconfiados de tudo e de todos. Generalizar acaba sendo a ação mais prática. E não pode ser assim! É verdade, existem pessoas oportunistas, más, vingativas, dentre outras características não agradáveis para conviver. Entretanto, o lado do bem existe e parece ser bem maior. O fato é que ficamos presos ao “pontinho no centro da folha branca” e essa concentração não nos permite ver o que há no entorno, como bondade, amor, carinho, generosidade, compaixão, alegria, harmonia e todos os frutos do espírito do bem.

Acredito que a energia em ter falado em sentimentos estes dias conspirou para eu encontrar o assunto de hoje em um outro sentimento: a generosidade. Graças à Deus já a conhecia de pertinho e desde que cheguei aqui, neste país, tenho tido meus caminhos cruzados com ela o tempo todo. Os Josés, as Marizas, os Mários, as Anas, os Antônios, as Marias, os Paulos e etc, todos sempre atenciosos e preocupados se estou precisando de algo. Sempre com um sorriso no rosto, principalmente se falo algo que não devo. Sempre com gentileza e, sim, generosidade a pessoa me esclarece o que aquilo significa. E se não sei como chegar onde desejo, eles, quase que literalmente, levam-me pela mão.

É essa generosidade que me fornece forças e acalma meu coração, no sentido de que estou em casa, em segurança.

Hoje, por acaso, encontrei uma horta comunitária. Estive pesquisando e é um projeto muito fixe, digno de servir de exemplo para outros países. Parei e fiquei apreciando aquela beleza. Os pés de couve quase da minha altura, morango, uva, flores… Pensei: “Meu Deus, como podes?” Até então não sabia que era uma horta comunitária. Tomei um susto quando ouvi um senhor a gritar: “O que queres?” Nessa hora, já estava com medo, o som da voz me pareceu grosseiro, então respondi: “Nada, senhor.” Antes que desse tempo eu correr, ele falou: “A menina é brasileira?”

Conversamos por, no mínimo, uma hora. Ele me contou sobre o projeto da horta; sobre uma brasileira que tem um espaço de terra lá; que a produção é para consumo diário de cada família, que cuida da sua plantação; e, claro, ofereceu-me os produtos de seu consumo. Ele insistiu tanto, que não tive como sair sem levar um pé de couve.

Depois dos recentes acontecimentos de ataques em pontos específicos na Europa, pensei que as pessoas fossem ficar mais reservadas. Eu mesma tenho tido mais atenção. Enquanto conversávamos, meu coração ficou cheio de alegria pelo presente da vida nesse dia, pela oportunidade de ter conhecido mais um José – uma pessoa generosa, de sorriso grande – naquele espaço afastado do urbano. E fica a lição: estar atenta, sim, e sempre, mas, atenta a tudo, sempre de coração aberto para atrair o que há de melhor, como a generosidade!

Beijinhos e até amanhã.

Projeto de horta comunitária em Portugal:

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