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O percurso até os 40 35/40

25 de dez. de 2015
2 min de leitura



Hoje é Natal, cheguei às 4h da madrugada em casa. Acordei às 16h, fiz almoço, escrevi sobre o dia de ontem para o blog e pensei: “Enfim um dia para descansar e praticar o ócio criativo”. Fazer nada também dá muito trabalho, principalmente para pessoas como eu, ligada no 220V, mas já tem um tempo que não tenho tempo para fazer nada. Já estou com saudades disso! Gostaria de poder fazer isso hoje. Entretanto, lembrei-me do meu compromisso comigo mesma de fazer 40 histórias e 40 desenhos até dia 30 de dezembro, o que significa que não posso ficar com pensamentos ao vento.


Como hoje é dia de ficar recolhida em casa e também tempo de reflexão, vou fazer a minha retrospectiva profissional.

Sou de uma geração em que a mulher era educada para casar e cuidar dos filhos. As que escolhiam uma profissão, assim como eu, sabiam que isso tinha dias contados. Trabalho desde os 15 anos. Iniciei, contra a vontade de meus pais, como assistente em uma locadora de vídeo e com o compromisso de que essa atividade não prejudicaria meus estudos. Eu queria ser estilista, mas a vida encaminhou-me para administração de empresas, função que exerci por um período de 15 anos em duas empresas. O desejo de ter mais contato com pessoas e fazer atividades mais criativas e menos rotineiras continuava forte em mim. Foi quando decidi recomeçar profissionalmente. Nessa época, saber que existia a teoria de que sua vida profissional morria aos 40anos sempre me assustava, mais do que saber que iria também ganhar umas rugas e cabelos brancos nessa idade. Todos diziam que eu estava ficando mais doida e é fato que sim. Tive medo, mas não estava doida, estava indo em busca de ser feliz. Acredito que quando fazemos o que realmente gostamos tudo fica mais leve, fluí naturalmente. Eu gostava do que fazia, mas não amava. Eu estava precisando amar. Sabia, também, que toda escolha teria suas consequências, mas estava disposta a pagar o preço. Ganhar menos, trabalhar mais, porém fazendo o que gostava e, consequentemente, tendo um sorriso não só no rosto, mas dentro do coração.


Aos 35 anos, agindo feito uma menina, começando do zero em busca da felicidade profissional, fui trabalhar como produtora de eventos culturais e técnicos científicos. Aos 37, iniciei um novo curso superior, Design de Interiores. Nessa altura, mais confiante que haveria, sim, oportunidades para mulheres de 40, apresentei meu projeto final, dias antes de fazer 40, e a colação de grau aconteceu um mês após. O que justifica o fato deste projeto ter o nome “Casa dos 40”. Para quem 20 anos atrás estava preocupada sobre como seria a vida aos 40, chegar neles cheia de realizações e sair deles com ainda mais confiança não tem preço. Parece clichê, frase de comercial, mas é esse o sentimento. Enquanto há vida, há esperança, só não há jeito para a morte. Agora a minha nova escolha (ou seria desejo?) é um dia ser reconhecida como artista. Venho fazendo isso de hobby há anos, mas meu desejo é poder um dia viver com arte, da arte. É meu pedido ao papai do céu para 2016.


e até amanhã.


 
 
 

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