O sentido do Natal 34/40

É mais uma data para se estar com a família e os amigos – pessoas que eu amo, admiro e escolhi para ficar junto. Também é tempo de refletir sobre o que deu certo ou errado durante o ano, sobre o meu comportamento como pessoa, minhas atitudes, etc. Momento de pensar em como posso ser uma pessoa melhor para a minha família, os meus amigos e a sociedade.
Eu não tinha ideia de como seria este natal até o dia de hoje. Pensei que estaria melancólica, em jantar de família de dois e não de muitos, como era de costume.
Afinal, três meses é pouco tempo para construir algo forte como amizade e amor? Não saber muito um do outro ou ter gostos, temperamentos e talentos diferentes, para mim, nunca foi uma barreira para construir uma amizade. A verdade é que nenhum dos meus amigos, que hoje são membros escolhidos como família, pensa como eu. Não, não somos iguais. Nossas diferenças nos enriquecem e nos complementam, aprendemos com elas e nos respeitamos. E, o amor dessas amizades, eu trago comigo no meu coração. Essas pessoas fazem parte da minha bagagem e vamos estar juntas por este sentimento que nos uniu onde quer que eu esteja. Refletir sobre isso hoje, sim, me deixa um pouco melancólica. Gosto de dizer que eu posso escolher a minha família, justamente porque faço isso sempre que possível e vivo feliz porque ela não para de crescer.
Aqui, em Porto, a história continua. Novos personagens com talentos, hábitos, gostos e personalidades diferentes, mas tem algo que nos une, saímos todos da mesma mãe, a Nação Brasileira. E, a cada dia que passa, aos poucos vamos nos conhecendo, nos aproximando, criando laços afetivos, nos tornando irmãos.
Alguém teve a brilhante ideia de nos reunirmos para fazermos juntos o nosso primeiro jantar de Natal longe de casa, mas com aconchego de família. E foi lindo. Os anfitriões que nos receberam com tanto carinho em sua casa e como cada um de nós colaborou de maneira harmoniosa e de coração aberto para receber um ao outro como amigo e como irmão. Foi emocionante sentir o verdadeiro espírito do Natal presente ali, no envolvimento de carinho e afeto de cada um de nós, 15 pessoas de diferentes regiões do Brasil que estavam convivendo pouco mais de três meses, mas com a energia de quem se conhece de uma vida inteira. Nasceu, hoje, uma nova família escolhida.
Mas a historia do natal de 2015 ainda não acabou, foram muitas emoções. Também foi dia de receber e enviar mensagens, conversar pelo telefone com a família e alguns amigos, preparar presentes, aprender e preparar receita de comida típica do Natal português e, a segunda parada da noite, jantar com família Ribeiro, nossa família portuguesa. Fomos adotados de coração, temos tios e primos. Foi uma emoção a parte poder conviver com as tradições, com o sentimento de acolhida e de carinho.
Hoje, eu cometi o pecado da gula: dois jantares, bebidas, sobremesas… Tudo delicioso demais para rejeitar. Muita conversa, muitas risadas, estamos felizes. Acredito que nossa família no Brasil não vai ficar chateada com estes comentários, mas, sim, alegres por nós estarmos bem. Lá, não era muito diferente, na noite do Natal sempre tínhamos, no mínimo, duas paradas familiares.

e até daqui a pouco.



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