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Reaprender a cozinhar 37/40

27 de dez. de 2015
3 min de leitura

Atualizado: 7 de mar. de 2021




Até aos 35 anos não sabia fazer nem ovo frito. Fazia mexido, que não é a mesma coisa. Nunca gostei de cozinhar, tão pouco de comer tudo. Para exemplificar melhor, meu prato favorito desde a infância era macarrão com tomates, ovo e cheiro verde.


Não sei ao certo o que mudou, foram vários fatores possivelmente, mas o fato é que o milagre aconteceu. Acredito que tenha a ver com a falta de obrigação. Nunca quis aprender para não ter que obedecer aos padrões familiares da minha época, que toda mulher precisava saber administrar uma cozinha e o fogão para cuidar da família. Gosto de fazer o que entendo ser legal e não por obrigação. Também estava vivendo uma nova fase na vida, um namorido que ia à cozinha comigo, que me ajudava, que preparava o café da manhã e que não era muito fã do meu, até então o único prato do cardápio, massa e molho, pronto. Senti necessidade de retribuir o carinho e a dedicação dele. Também não tinha mais secretaria fixa e precisava me alimentar bem por conta da gastrite e das alergias. Nesta altura, já não estava mais trabalhando 24h por dia, passei a ter horários, o que possibilitou tempo para assistir aos programas culinários. Comecei a testar as receitas e quando menos esperava, já estava fazendo tudo a minha moda. Faltar um ingrediente na geladeira não significava que ficaria sem fazê-la, substituía por outro ou ficava faltando mesmo. Como eu não havia comido o que estava nos livros ou na TV para saber o sabor ou se havia acertado ou não, meu senso crítico era quem dava as notas. Também tinha um namorido apaixonado que achava tudo uma delícia. Isso foi me motivando a continuar e, inclusive, inventar meus próprios pratos.


A paixão por comer bem e fazer comidas diversas e deliciosas foi crescendo e ganhado vida própria. Passei a ter prazer em fazer festas temáticas de sabores para receber os amigos e ficava mais feliz em ter a certeza de que eles realmente apreciavam o que eu fazia, não era apenas para me agradar. Fui até aconselhada a fazer gastronomia, mas acho um pouco demais para mim. Ser chef vai além da beleza e do sabor. Gosto de praticar a cozinha-terapia, slow food, com compromisso comigo, minha família e convidados, e pronto. A rotina de um chef, imagino que seja bem mais cansativa, sem falar em todos os tipos de facas e cortes rápidos que precisam fazer. Eu só sei usar um tipo de faca e com muito cuidado.


Aqui, infelizmente não tenho mais meu público, só meu fiel escudeiro, promovido de namorido a marido. Continuo com o desejo de cozinhar, mas tem sido, a cada dia, mais difícil, chego a ficar com medo de perder o encanto. Ainda não consegui fazer sequer um arroz soltinho! O fogão elétrico, a panela inox, o tipo do arroz… Não sei, já tentei de tudo, mas ou fica papa ou queima. Os ingredientes extremamente gelados, que dói os dedos ao tocá-los, o certo seria lavá-los em água natural, mas ela é demasiadamente quente ou muito gelada. Hoje foi um dia difícil para cozinhar, pois a temperatura caiu. Eu já estou cheia de cortes e queimaduras, coisas que não aconteciam antes. O arroz virou papa e o ensopado de berinjela queimou. Deu para comer, estava feio, porém saboroso. Vou continuar tentando, afinal tenho aqui comigo um fã que me motiva e não me deixa desisti.


Um dia ganho a batalha: Temperatura versus panelas e novos produtos alimentícios.


e até amanhã.

 
 
 

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